Rutz: calçado de cortiça para vender Portugal no estrangeiro

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A paixão pelo calçado, aliada à vontade de fazer mais e de inovar, levou três amigas unirem dois produtos base da economia portuguesa: calçado e cortiça. Assim nasceu a Rutz, uma empresa que cria sapatos de cortiça. A particularidade é que a cortiça tem motivos bordados. O sucesso está à vista. Em pouco tempo,os sapatos criados pelo trio e produzidos em S. João da Madeira, galgaram fronteiras. Ao VerPortugal, Raquel Castro, porta-voz da Rutz, explica como é que em tão pouco tempo conseguiram colocar o calçado à venda em 17 lojas portuguesas. A loja online, entretanto criada, tem sido útil para os estrangeiros e para aqueles que ainda não têm um estabelecimento com os nossos produtos por perto.

Como surgiu a ideia de criar uma empresa que produz sapatos em cortiça?

A empresa foi criada, de forma oficial, em Janeiro. Mas o projecto já andava a ser trabalhado há muito tempo. Sempre ponderamos, até por uma questão pessoal, por paixão pelo calçado, criar uma marca totalmente portuguesa, que mais cedo ou mais tarde, pudesse ser exportada. Para a criação da Rutz também pesou o próprio mercado e os estudos que vimos relativamente ao sector do calçado. Escolhemos o calçado feminino, mas para garantir sucesso procuramos elementos que o diferenciassem do existente. Como o nosso grande objectivo era “vender Portugal” lá fora e cá dentro achámos que aliar a cortiça, produto no qual Portugal é líder mundial, era o ideal. Tentámos depois perceber se seria possível confeccionar o calçado totalmente em cortiça, porque esta matéria-prima já é usada há muito nas solas dos sapatos, mas não é habitual na totalidade. Contactámos algumas fábricas, na zona de S. João da Madeira, tendo em vista a conjugação dos dois sectores – cortiça e calçado. Para diferenciar ainda mais do que já existe, aplicámos a cortiça em calçado com um design mais moderno, mais urbano, com cor e inspirado em simbologia tradicional portuguesa, neste caso, os bordados. A cortiça é bordada com a simbologia dos bordados do Minho, nomeadamente do lenço dos namorados.

Quem são os mentores do projecto?

São três sócios. Em conjunto, concebemos a ideia, procurámos inicialmente fábricas que pudessem aliar a cortiça ao calçado e numa segunda fase, decidimos que o mote de inspiração para as colecções seria a simbologia tradicional portuguesa, começando com a “Love Letters”, a primeira colecção inspirada nos bordados do Minho, com elementos dos “Lenços dos Namorados”. Uma das nossas preocupações foi criar modelos para cada tipo de mulher, desde salto mais alto até à cunha, do salto médio à sabrina. Portanto, encontrar aqui vários estilos de calçado adaptáveis a vários estilos de mulher. No fundo foi um pouco por aí que começamos.

A área de formação dos fundadores da empresa tem a ver com o Design ou ao calçado?

Não temos nenhuma ligação anterior, de formação ou profissional, ao sector do calçado. Trabalhámos e temos formação nas áreas de marketing, media, vendas. Estivemos sempre ligados a essa área, que acaba por ser fundamental para a concepção de um produto, para a criação de uma marca, e implementação da mesma no mercado.

Como é que foi a aceitação deste produto?

A aceitação foi muito positiva. Muito acima das nossas expectativas apesar do atraso grande em relação ao ritmo normal das colecções, que por norma são apresentadas quase com um ano de antecedência. Nós ou teríamos feito isso e apostávamos em apresentar uma colecção para o próximo ano ou apresentávamos já a de Primavera -Verão de 2012. Optámos pela segunda possibilidade e em Fevereiro último apresentámos a colecção às lojas que já tinham efectuado a compra das colecções da estação. Mesmo assim, a receptividade foi muito positiva e até acima do que esperávamos. A receptividade das consumidoras também foi muito positiva. São já 17 as lojas em todo o Pais a comercializar a marca. A loja online é útil para os estrangeiros e para aqueles que ainda não têm um estabelecimento com os nossos produtos por perto. No mercado externo, o calçado em cortiça tem suscitado muita curiosidade e têm-nos chegado muitos contactos de vários países. O plano traçado inicialmente previa a internacionalização ao fim de 2 a 3 anos, no entanto, essa premissa mudou quando, através da rede social, começaram a chegar contactos de fora com interesse em representar a marca.

Que mercados é que neste momento têm o vosso calçado?

Neste momento, temos amostras comerciais através de representantes, em Macau e no Brasil, para apresentação a lojas locais. Temos estabelecido também contactos com o Canadá, Lexumburgo, Roménia e mais recentemente alguns países do norte da Europa. A nossa convicção é a de que, ainda este ano, conseguiremos ter a marca presente noutros mercados.

Em que tipo de lojas podem ser encontrados os vossos sapatos?

Estamos, essencialmente, em dois tipos de lojas. Nas chamadas fashion chic ou urban chic que são lojas de roupa mais exclusiva e que têm alguns apontamentos de calçado. E estamos também em lojas de produtos portugueses.

Que tipo de tratamento tem a matéria-prima cortiça de sofrer para dar origem ao calçado?

O que se utiliza no calçado é uma pele de cortiça. No caso do calçado rutz, apresenta até as irregularidades próprias da cortiça para um aspecto o mais natural possível. Portugal está muito desenvolvido nesta área e já há algumas inovações relativas à cortiça que nós queremos acompanhar para poder trabalhar sempre com este material nas mais variadas formas. O nosso objectivo no futuro é ir encontrando parcerias tanto com a parte mais académica, ligada à investigação deste material, como com outras empresas do sector. A colecção de Outono/Inverno que já está a ser apresentada às lojas, terá o mesmo tipo de cortiça, também colorida e bordada, mas agora ganha novas formas através de botas, botins e sapatos.

Para além da cortiça usam bordados na produção de calçado. É esta a ideia da Rutz, utilizar sempre o que for característico em Portugal?

Sim. O que está pensado para as próximas colecções é exactamente isso. Inspirar as colecções em simbologia tradicional portuguesa, não necessariamente nos bordados, poderá apresentar-se de outras formas.

Quantos modelos tem cada uma das colecções?

As primeiras colecções têm cinco modelos distintos. A colecção de Outono/Inverno contará com mais cores. Os modelos são pensados tendo em conta os vários tipos de mulheres, embora a rutz se direccione sobretudo para as mulheres activas, urbanas, sofisticadas, apaixonadas por sapatos e acima de tudo orgulhosas das suas raízes (roots). O que pretendemos é imprimir em cada modelo o máximo conforto, facilitado pela leveza da cortiça, que é ao mesmo tempo um material eco-friendly. A nossa aposta está também no design, na exclusividade e na qualidade da produção.

Os sapatos Rutz não são acessíveis a todos. Vão continuar nesta linha?

Os valores estão dentro do que é praticado no segmento em que actuamos – médio/alto. Além disso, a utilização de materiais menos convencionais e que passam por diversos processos de transformação tendem a encarecer o produto. A aposta na qualidade e na produção nacional, incrementam os valores, mas são ao mesmo tempo garante do reconhecimento internacional e até mesmo nacional.

A nível de facturação é possível fazer um balanço dos primeiros meses de vida da Rutz?

O balanço é bastante positivo, ainda que estejamos apenas a 6 meses de vida. Estamos num processo inicial de reconhecimento e trabalho de notoriedade da marca e já contamos com diversas presenças nos meios de comunicação (desde programas de tv, a imprensa generalista e especializada).

Em termos de pares de sapatos vendidos. Quantos?

Ainda não é possível adiantar números até porque temos tido um incremento grande nos últimos tempos, dada a comunicação da marca. Podemos desde já adiantar que quase todos os modelos estão com ruptura de stock em determinados tamanhos.

Em termos de participação em Feiras, grandes eventos?

A nível internacional, teremos uma representação agora em Julho nas Astúrias. Temos estabelecido alguns contactos e estamos a ponderar várias participações para próximo ano. A nível nacional marcámos presença no desfile de moda da FICOR. Estamos sempre atentos aos eventos que vão acontecendo para participar não na perspectiva de venda directa, mas sim na promoção do produto, pela diferença, pelo design.

A Rutz pretende alargar a produção a outros produtos que não só o calçado?

Para já não está ponderado. A empresa ainda é muito recente e pretendemos focar-nos ao máximo na produção de calçado feminino, tentanto apostar cada vez mais em diferentes formas de trabalhar a cortiça no calçado.

Teve apoios para a criação da empresa?

Até agora não recorremos a qualquer tipo de financiamento. No entanto, para a internacionalização está previsto um plano de financiamento aliado aos programas do governo para a exportação.

Considera muito importante a internacionalização para que as empresas possam sobreviver?

Sim, sem dúvida! Tal como referido anteriormente, a nossa previsão era de iniciar contactos internacionais ao fim de dois ou três anos. No entanto, no mundo altamente global e conectado, todo esse processo surge de forma natural e facilitado pelos meios de que dispomos.

Os sapatos que usa são Rutz?

Claro que sim! Sobretudo porque é extremamente importante e só é possível falar do conforto, da leveza e de todas as características de andar com “cortiça nos pés”, utilizando todos os modelos que temos no meu dia a dia. Mas como sou uma apaixonada por sapatos, utilizo também outras marcas, desde que sejam portuguesas e com qualidade.

Já viu os sapatos Rutz nos pés de personalidades importantes?

Já temos vários contactos com algumas personalidades e mais recentemente, a rutz marcará presença aos pés da representante portuguesa – Melanie Vicente - no concurso Miss Mundo 2012, que está a decorrer na China.

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